Diretor da FAO alerta para ameça à segurança alimentar devido à seca

A crise hídrica que tem persistido em alguns estados brasileiros provoca alerta em organizações internacionais que alertam para possível desabastecimento alimentar. Uma dessas instituições é a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

Durante  cúpula da Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos (Celac), na Costa Rica, realizada em janeiro, o diretor-geral da agência, José Graziano da Silva, reconheceu que este é um momento de alerta e que a falta de água pode comprometer a segurança alimentar na região. A afirmação foi feita durante entrevista à BBC Brasil (confira a entrevista completa).

Segundo ele, há uma “uma quebra enorme da safra de todos os produtos”, o que deve ter impacto nos preços dos alimentos.  “Estamos vendo muita oscilação de preços resultante do impacto das mudanças climáticas. Há uma irregularidade da produção. Situações de seca, que antes se repetiam a cada cem anos, agora ocorrem a cada 20 anos”, frisou Graziano.

“O jeito é ter estoques. O Brasil tem alguns estoques bons, como o de milho, fruto da boa colheita do ano passado, mas não tem em outras áreas. Precisa até importar trigo”, ressalta o diretor-geral da agência da ONU .

De acordo com Graziano, esforços têm sido feitos para amenizar a situação. “Estamos trabalhando muito com a adaptação de culturas à seca. A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, estatal ligada ao Ministério da Agricultura) já tomou essa iniciativa e está desenvolvendo variedades até de arroz adaptado à seca. Também devemos substituir culturas. A quinoa demanda muito menos água que o arroz e tem um valor nutritivo muito maior. Estamos promovendo a substituição do trigo nas regiões tropicais e a recuperação de produtos tradicionais”, finalizou.